quarta-feira, 5 de setembro de 2018

A Clavícula


O primeiro osso que estudei nas aulas de anatomia prática foi a clavícula, e este texto não sendo uma declaração ao primeiro amor anatómico, é uma atenuante por tardiamente me ter apercebido da sua tamanha importância.  

A clavícula tem o desenho de um S, é um S quase horizontal, embora se observem umas clavículas deitadas, outras muito inclinadas, indicando que dependendo da nossa postura existe uma vasta possibilidade de horizontalidades das clavículas.

A época da praia é a ideal para a observação destas horizontalidades. Umas mostram-se sem medos, outras mais reservadas deixam revelar apenas uma das extremidades, e outras, mais tímidas, escondem-se entre as camadas de tecidos moles que as envolvem.

A delgada clavícula, mais tímida ou mais extrovertida, é capaz de movimentos simples, que combinados entre si, geram movimentos incríveis. Quando movimentamos o ombro, a clavícula acompanha-o com esta combinação de movimentos, meneando-se como o apoio fundamental de que o braço necessita.

É importante não esquecer que esta sustentação dos movimentos do braço é realizada em parceria eficaz com a vizinha de trás, a omoplata. Mas hoje a clavícula tem exclusividade.

A clavícula também se articula com o esterno, o fiel escudeiro do coração, e uma primeira apreciação anatómica diz que a grande relevância deste osso é fazer a ligação entre o centro do corpo, quando se articula com o esterno, e o membro superior, na articulação do ombro. 

Desta união entre a clavícula e o esterno, surge o músculo mais conhecido dos portugueses, o esterno-cleido-mastoideu, que chega até à cabeça. Este é um dos exemplos anatómicos que mostram a dimensão das relações das estruturas entre si, porque se a clavícula e a cabeça não se tocam, a verdade é que se relacionam de uma forma mais directa do que se poderia imaginar à partida.

Para além dos músculos importantes que passam ou têm origem na clavícula, que tanto se podem relacionar com o ombro, quanto com o peito, o pescoço ou a cabeça, este fino osso cumpre outras tarefas igualmente dignas. A clavícula adianta-se e protege uma pontinha do pulmão e o importante tronco de nervos e artérias que seguem pelo braço e lhe dão vida e alimento.

Por esta altura do texto, o paciente leitor deve perguntar-se por que razão a fotografia de uma chave para falar de um osso. Porque a palavra clavícula, originária do Latim, significa pequena chave. Entre algumas versões que tentam explicar o porquê deste nome, escolho as duas de que gosto mais. 

A primeira, bastante razoável, porque um dos movimentos de que a clavícula é capaz é de girar sobre o seu próprio eixo, tal e qual como uma chave. A segunda, mais poética, os anatomistas antigos acreditavam que a clavícula seria o primeiro osso a formar-se no feto e o último a decompor-se após a morte física, tornando-se a chave que abre e fecha as portas da vida.

Abrindo ou não as portas da vida, criar espaço entre as nossas clavículas é dar espaço aos pulmões, a nervos e artérias, é alongar o pescoço, é permitir maior amplitude e fluidez nos movimentos dos ombros, é abrir o peito e soltar amor, compaixão e alegria.

Vamos dar à chave?

terça-feira, 10 de julho de 2018

O Ioga e as 4 Estações


Umas das coisas de que mais gosto nas aulas de ioga que frequento, é o facto de a Cristina adequar a prática às estações do ano. 

Às diferentes fases do ano estão associados diferentes órgãos, à Primavera o fígado e a vesícula biliar ou ao Verão o coração e o intestino delgado, por exemplo. Então, a prática vai seguindo um alinhamento de posturas que favorece a circulação de energia nos meridianos desses mesmos órgãos. 

Os meridianos são canais energéticos que percorrem o nosso corpo e fazem interface com as estruturas físicas, sejam estas ossos, músculos, tendões, ligamentos, nervos, vasos sanguíneos, fascias ou vísceras. Por isso, se alongarmos e fortalecermos uma determinada estrutura física, estamos também a promover a circulação de energia nos meridianos que correm ao longo dessa estrutura.

Desta forma, tiramos o partido que se tira de qualquer exercício físico, e ainda abordamos as necessidades fisiológicas específicas para cada altura do ano. 

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Sua Majestade, a Glândula Pineal


Se à hipófise ou glândula pituitária se atribui o título de glândula-mãe, permitam-me atribuir à glândula pineal ou epífise, o título de rainha. Situa-se bem no centro no cérebro, colocando um dedo entre as sobrancelhas é só seguir em linha recta e chegamos à pineal.

A pineal funciona como um olho e capta parte da luz que os nossos olhos não conseguem captar. É através da captação de luz que a pineal produz uma hormona, a melatonina, uma substância capaz de nos induzir o sono. Quando começa a escurecer, a pineal começa a produzir a hormona do sono.

Mas há mais, a pineal capta o magnetismo da Lua, transforma-o e produz substâncias que regulam os ciclos reprodutivos femininos.

Hoje em dia, para grande parte das mulheres, esta relação de um astro com o seu corpo é um tanto estranha, como se fosse algo do passado, algo primitivo. Entre os métodos contraceptivos e as aplicações nos telemóveis espertos, muitas mulheres perderam o contacto com o seu corpo, com os seus ritmos, com as suas sensações cíclicas.

A verdade é que o ciclo da Lua e o ciclo reprodutivo feminino têm, mais coisa menos coisa, a mesma duração. Essa relação acontece porque dentro dos nossos belos crânios existe uma pequena rainha capaz de captar o magnetismo do satélite natural da Terra e transformá-lo em substâncias químicas que estabelecem os ritmos corporais.

Reconheço estas funções do pequeno órgão como algo de incrível, mas a meu ver, o que eleva esta glândula a glândula-rainha, é ser conhecida como o órgão responsável pela interacção entre o homem e o mundo espiritual. É a sede da alma, a porta da alma, dizia Descartes. 

Parece ser através da pineal que nos sintonizamos com o plano espiritual, é a estrutura física, palpável, que através da oração, meditação ou o que queiramos chamar, nos faz conectar com as dimensões não palpáveis da nossa existência.

A glândula pineal torna a nossa conexão com o plano espiritual numa função biológica, que sendo independente de qualquer religião, é tão funcional quanto a nossa restante fisiologia.


terça-feira, 17 de abril de 2018

Era uma vez...


...um reino, o Reino Vegetal!

Para muitas pessoas o conceito de comer vegetais é uma salada de alface e tomate. Nada contra, mas há tantos mais para experimentar!

É bom experimentarmos outras coisas, sentirmos outros sabores, mais doces, mais picantes, ou mais ácidos, outras texturas, mais firmes, mais moles, esquisitas. Os vegetais doces que nos acalmam, as folhas verdes que nos enchem de clorofila, as raízes que nos dão chão.

É bom aumentarmos a amplitude do paladar e do olfato. E será que quanto mais diversificada for a escolha, maior a probabilidade de ingerirmos nutrientes interessantes? Eu acho que sim.

Comer vegetais pode ter várias vantagens, são muito ricos em nutrientes, são mais baratos do que a carne e o peixe, a sua produção pode ser ecológica e economicamente mais sustentável do que a produção de produtos animais e, ainda, são fáceis de cozinhar.

Podemos cozinhá-los de tantas formas, cozidos em água, cozidos a vapor, salteados, grelhados, ou no forno, dependendo do gosto ou do desejo do dia. Uns quantos podemos comer crus, especialmente no Verão, como uma refrescante salada de pepino, por exemplo. É só temperar e juntar ervas a gosto, salsa, coentros, ou hortelã, e que delícia!

Também podemos misturá-los com leguminosas ou cereais, ou os dois juntos, ficando com um prato mais completo no que respeita ao equilíbrio nutricional entre as proteínas e os hidratos de carbono.

O Alma na Matéria não tem aspirações a blog nutricionista, quer apenas lembrar as maravilhas do mundo vegetal.

segunda-feira, 5 de março de 2018

O Inverno, a Água e Pernas para que vos quero


Para as filosofias que relacionam as estações do ano aos elementos naturais, o Inverno relaciona-se com o elemento água.

A água é profunda, é calma e intempestiva, é silenciosamente teimosa. Molda-se e contornando obstáculos chega onde quer. A água pode encontrar-se onde menos se espera, precisamente porque é profunda e silenciosa. É, ao mesmo tempo, passiva e activa.

O Inverno assemelha-se à água, se por um lado pede recolhimento e reflexão, por outro promove-nos mais vontade de trabalhar, de estudar, de armazenar conhecimento. Durante o Inverno a natureza está conservada, muitos animais e plantas estão em repouso, quase como se estivessem à espera, como a água aparentemente parada das profundezas.

Os órgãos associados a esta época do ano são os rins e a bexiga, e a estes órgãos qualquer um de nós associa instantaneamente o elemento água.

Os rins para além das suas funções de filtragem e eliminação, são também um reservatório de energia vital e distribuidores dessa mesma energia pelo resto do corpo. Têm, portanto, uma importância mais global do que poderíamos imaginar à partida.

Numa perspectiva mais física, podemos relacionar estes órgãos invernosos às nossas pernas e pés. Trabalhando as pernas e os pés, podemos promover as capacidades energéticas dos rins e da bexiga. Através de caminhadas, de posturas de equilíbrio, de fortalecimento muscular, e para quem gostar, da própria corrida.

Uma outra forma de protegermos os rins é não perdermos energia através dos nossos pés, por isso devemos mantê-los bem aquecidos ao longo do Inverno.

E depois do exercício físico para as pernas, nada como uma mantinha e um delicioso chá de gengibre, para aquecer os pés e o espírito.

Para quem quiser, uma dica para os pés, e uma ideia sobre a corrida.

sábado, 20 de janeiro de 2018

O Diafragma


O diafragma tem a forma de uma cúpula, é uma abóbada elástica, que desce e empurra os órgãos abdominais para que os pulmões se expandam e se encham de ar. Quando a abóbada relaxa, sobe e permite que o ar saia dos pulmões.

É músculo, mas é um músculo especial e faz das últimas vértebras dorsais, de quase todas as lombares e das últimas costelas o seu porto seguro. Por baixo, a abóbada alberga, à direita o fígado, ao centro-esquerda o estômago, à esquerda o baço, atrás o pâncreas e os rins. Em cima, conecta-se com as pleuras e o coração.

A cúpula tem orifícios pelos quais passam, por exemplo, o esófago, que vai desembocar no estômago, a veia cava inferior que termina no coração, ou a aorta que parte do mesmo e se continua em todas direções.

Diria que o diafragma é um músculo muito bem relacionado, é uma fronteira que separa o tórax do abdómen, uma fronteira aberta onde se cruzam as mais altas patentes do corpo humano.

O orifício do diafragma pelo qual passa o esófago, o hiato esofágico, funciona como uma válvula que permite a passagem dos alimentos para o estômago e que impede o contrário de acontecer. Se o diafragma não tiver uma boa mobilidade, pode perder esta função de válvula e dar origem a sintomas como a azia ou mesmo o refluxo gástrico.

Para além da função respiratória e do papel principal na função digestiva, adivinhem com o que se relaciona intimamente o especialíssimo diafragma? Com a nossa postura.

Um exemplo, o diafragma está anatomicamente ligado a dois músculos que muito influenciam a região lombar, o psoas e o quadrado lombar. Estes, por caminhos diferentes, chegam até às ancas e à bacia. Então, podemos colocar a seguinte hipótese, sintomas de azia e uma dor na anca ou no fundo das costas podem estar relacionados, podem ter uma mesma origem, que pode ser apenas uma alteração da mobilidade do diafragma.

Essa alteração da mobilidade do diafragma pode acontecer por excesso de tensão ou pela sua ausência, como a relação rigidez-fraqueza que tentei descrever no último texto.

E o seu diafragma como anda? Consegue inspirar mantendo o tórax relaxado e expandindo o seu abdómen? E expirar lentamente, encolhendo o abdómen, como se quisesse levar o umbigo até às costas, sem entrar em esforço?

Se não, tente torná-lo mais elástico para que as cúpulas rígidas e fixas sejam apenas as das belas basílicas.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Não seja forte, seja flexível


Esta é uma das frases de que mais gosto, podemos aplicá-la em todas as vertentes da nossa vida e na minha profissão, assenta que nem uma luva. Dizem que pertence à panóplia de frases sábias de Confúcio, o pensador chinês. 

Soltos e firmes. Confuso? 

Às vezes temos a sensação de que para sermos firmes não podemos estar soltos, devemos ser fixos, rígidos. Mas já pensaram que se as pontes fossem rígidas, cairiam? Nós, tal como as pontes, precisamos é de estabilidade.

A estabilidade é o equilíbrio das forças, é termos a tensão necessária para nos sustentar e gerar força para as nossas tarefas; e se a ausência de tensão é fraqueza, o seu excesso é rigidez. 

No nosso corpo, uma pode levar à outra. Tanto um músculo fraco quanto um rígido perdem a sua capacidade de contração, por consequência um músculo fraco pode tornar-se rígido e um rígido certamente se torna fraco. Portanto, para alcançarmos a estabilidade de que precisamos, o alongamento mostra-se tão necessário quanto o fortalecimento.

Arrisco dizer, pela observação na minha prática clínica, que a maioria das dores físicas revelam-se por esta rigidez-fraqueza. Se seguirmos a sensatez de Confúcio, podemos transformar a rigidez-fraqueza em flexibilidade-força.

E assim, pelo tempo que aqui estivermos, permanecermos estáveis como a icónica ponte nortenha.


domingo, 19 de novembro de 2017

A segunda-feira


Quem gosta de segundas-feiras? Eu! Conheço poucas pessoas que gostem muito de segundas-feiras. Se alguém aí gostar deste parente pobre da semana, que se acuse, por favor!

Para mim, a segunda-feira é uma oportunidade. Uma oportunidade de ter uma semana melhor do que a anterior, de trabalhar melhor, de fazer melhores refeições, de fazer o que ficou por fazer, de recomeçar! Será otimismo gostar do dia da Lua?

Pois é, já repararam que em espanhol, francês e italiano, segunda-feira se relaciona com a palavra lua? Lunes, lundi, lunedi. Mesmo nas línguas anglo-saxónicas existe a relação, monday, montag, maandag. Esta denominação tem um significado astrológico, adotado pelos antigos, que se estende aos restantes dias da semana. Mas fiquemos pela Lua ou pela sua influência na segunda-feira.

Fisicamente, a Lua exerce grande influência sobre os fluídos, os que estão dentro e fora do nosso corpo, veja-se como domina as marés. Será por isso que tantos sentem o peso da segunda-feira como se estivessem inchados?

Astrologicamente, a Lua está relacionada com o feminino, com as emoções, a imaginação, a intuição. A segunda-feira parece ser um bom dia para tratarmos de assuntos familiares, para sermos recetivos e acolhermos as necessidades de quem cuidamos, para agirmos com compaixão, como fazem as mães.

Deste ponto de vista começo a perceber a dificuldade com a segunda-feira, quem tem vontade de sair da cama e ir trabalhar quando temos um astro que nos influencia de forma contrária?! Isto para quem considera a astrologia, para muitos a segunda-feira é simplesmente difícil porque o fim-de-semana é mais divertido. Mas às vezes não foi assim tão divertido, não se descansou assim tanto, e assim mesmo a segunda é um cataclismo psicológico.

E quem faz par com a Lua? O Sol! Que nos faz andar para a frente, que nos enche de energia vital, essencial para trabalharmos e realizarmos os nossos projetos, os sonhos que sonhámos com o apoio da Lua. Curiosamente, o Sol influencia o domingo. E a maior parte de nós não trabalha ao domingo. E se trocássemos o calendário semanal? Ficaríamos felizes por recebermos as influências certas para as nossas tarefas ou nada mudaria e o primeiro dia de trabalho seria sempre um sofrimento?

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

O Ioga é egoísta

yogadogz.com

O ioga é só um, mas existem várias formas de o praticar, conheço umas tantas denominações, e já experimentei algumas. Escolhi ficar com o Hatha, por isso só posso falar deste. E este, hoje em dia, é uma prática física, muito física aliás, onde a consciência está obrigatoriamente muito desperta.

Como diz a minha professora, a Cristina, em tom de brincadeira, o ioga é uma prática egoísta, porque só podemos olhar para dentro. E o que é isto de olhar para dentro? É sentir. Só assim, sentindo, podemos fazer ioga sem nos magoarmos, tirando apenas partido do alongamento, do fortalecimento, do ganho de equilíbrio. De sentir aqueles músculos que não havíamos sentido, que se situam tão profundamente dentro de nós que só numa postura muito louca podemos tomar consciência deles. Sentir onde dói, onde ganhamos espaço, a cada respiração.

É claro que esta exigência de concentração não permite a televisão que passa jogos de futebol, notícias ou videoclips atuais, a poposuda de fatiota colada ao corpitxo ou o musculado que se passeia, gingão, de toalha aos ombros. Os amantes de ginásios que me perdoem a caricatura, mas no ioga só se olha para dentro. 

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Nariz entupido? - Dica


Abriu a época do nariz entupido. Seja por este calor excessivo e fora de época, pelos ventos do Outono, ou porque de vez em quando convém eliminarmos os excessos e o sistema respiratório é um dos sistemas através dos quais deitamos muita coisa fora. É bom deitar fora, é sinal da inteligência do nosso corpo. Mas é chato e a paciência não impera por aí.

A maioria de nós, aquando de uma chatice destas, toca a tomar anti-histamínicos, corticoides e afins. Pronto, lá vem esta com as suas teorias anti-remédios. E como é que eu durmo com o nariz tapado? Antes de me acusarem, com alguma legitimidade, de radicalismo na avaliação do papel da indústria farmacêutica nos tempos modernos, leiam até ao fim, por favor.

Entre as lavagens do nariz com água salgada ou os chás que ajudam a purgar os excessos e a manterem-nos hidratados, aqui vai uma dica de fácil aplicação e sem custos.

Experimente inspirar por uma narina e expirar pela outra. Tape a narina mais congestionada com um dedo e comece por inspirar pela narina mais arejada, em seguida tape a narina pela qual inspirou e deite fora o ar pela outra narina, a mais congestionada. A força que o ar tem de fazer para passar vai ajudar a mobilizar as secreções que o impedem de circular.

Faça esta respiração umas dez vezes e de forma pausada, com calma. Não desespere, as narinas podem estar tão tapadas que lhe dá a sensação de que o ar não passa. Vá experimentando, sem entrar em stress, nem psicológico, nem respiratório. À medida que for inspirando e expirando as narinas vão-se destapando e o ar começa a alcançar lugares que não alcançava até então.

Também pode experimentar respirar apenas por uma das suas narinas, inspirando e expirando, pausadamente, pela mesma narina umas dez vezes, e repetindo do outro lado.

Esta dica pode ser aproveitada mesmo quando não tem o nariz entupido. Respirando assim o ar tem tempo para passar por todos os seios peri-nasais, arejá-los e mantê-los mais limpos do muco acumulado. Pode ser também experimentada em caso de dor de cabeça.

Posologia – várias vezes por dia nas fases agudas, uma ou duas vezes por semana o resto do ano.
Composição – toneladas de paciência.
Contra-indicações – não são conhecidas contra-indicações para esta dica.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Um pouco mais das Cadeias Fisiológicas

pinterest.com

A principal crítica que o meu meio profissional faz às Cadeias é o facto de muitas das técnicas propostas não estarem comprovadas pelo método científico. Mas a verdade é que a base do raciocínio em Cadeias está na observação da anatomia. Não naquela observação de o músculo X vai de A para B e faz tal movimento. Baseia-se na relação entre estruturas, nas interfaces que acontecem entre tecidos de diferentes funções, na continuidade dos tecidos.

Costumo fazer a analogia da anatomia com um mapa de uma cidade. Quantas ruas se continuam num mesmo trajeto, apesar de mudarem de nome? Quantas ruas desembocam em praças de onde saem outras quantas ruas? Não se trata de uma continuação de caminhos?

Os tecidos no nosso corpo comportam-se da mesma forma. Continuam-se. Nos músculos é particularmente fácil de se observar esta continuidade.

E também fazem interfaces, importantíssimas para se entender a descrição de uma dor de um paciente. Por exemplo, um ligamento (um tecido que liga um osso a outro osso) pode fazer interface com um músculo, com um tendão, com um nervo, com um vaso sanguíneo, com um órgão.

Para que o movimento ocorra sem dor e sem limitações, estas interfaces têm de estar livres de tensões, aderências, inflamações. Como se estes tecidos deslizassem uns sobre os outros.

A receita base proposta pelas Cadeias é estar de olhos bem abertos para o livro de anatomia, de espírito aberto na observação do paciente e, sobretudo, correlacionar uma coisa com a outra. Para que serve conhecer uma vastíssima colecção de técnicas se não se raciocina sobre o basilar conhecimento do corpo humano?

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

O Verão e o Coração

Um dos órgãos associados ao Verão é o coração e as emoções relacionadas com o coração são o amor, a compaixão, a alegria, é estar de braços abertos para oferecer. É claro que tudo tem dois lados e a outra face destas bonitas emoções é a euforia ou a histeria, e talvez por isso o meu querido Verão esteja associado à expressão silly season.

Embora o calor ainda nos acompanhe, o Verão está a chegar ao fim. Já se nota pela luz ao final da tarde, pelas andorinhas que já começaram a partir para outras geografias, pelas frutas outonais a aparecerem nos mercados. Mas eu gosto tanto do Verão!...não o quero deixar ir embora. Então proponho-me e a quem me queira acompanhar, a levar o amor, a compaixão e a alegria pelo resto do ano.

A minha proposta é fazer isto através do corpo, porque se as emoções nos transformam a postura, o contrário também pode ser verdade. Quando vemos alguém com os ombros rodados para a frente ou o peito encolhido, a primeira impressão que temos é de estarmos perante alguém que está triste, que é reservado, talvez pouco confiante. Pelo contrário, quando vemos alguém que chega de peito aberto, vemos confiança, às vezes até arrogância ou convencimento, tal é a segurança desse ser.

Quando falei do timo tentei mostrar a relação entre a postura, o que é aparente, e a fisiologia, o funcionamento interno. A postura diz muitas coisas sobre nós, e se é difícil sermos precisos quanto às questões subtis da nossa existência, quanto ao funcionamento do nosso corpinho, aí a avaliação da postura é uma excelente ferramenta.

Vamos então abrir o peito, rodar os ombros para trás, dar-lhes amplitude de movimento, criar espaço na caixa torácica para o coração bater livremente, para o timo se expandir, para os pulmões continuarem elásticos, para a porta do estômago não ficar empenada e não surgir a azia. Vamos ter uma boa postura, que é sinal de um bom funcionamento interno, que pode levar a fazer-nos sentir amor, compaixão e alegria.

Se sente necessidade de uma avaliação postural ou de um acompanhamento terapêutico, não hesite em contactar-me.  

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Os Açores estão na moda


Nunca ouvi tanta gente dizer que vai, que foi ou que pretende lá ir. Escrevem-se artigos relativos às ilhas, revistas importantes dedicam-lhes edições completas, lembrando que são nove, sem esquecer as mais pequenas e longínquas. Juntando as low-cost e o marketing, a verdade é que os continentais estão a redescobrir o arquipélago.

Esta pequena declaração é só sobre a minha ilha, a minha primeira, que é a Terceira.

Na Terceira come-se bom peixe, alcatra e massa sovada, queijos e massa de malagueta, cavacos e lapas, rochedos e donas Amélias.

É uma promessa de águas limpas do oceano para onde nos podemos atirar logo ali e em qualquer lugar. São os tons de verde e azul em fluorescência, que alternam dependendo da vontade do céu.

São as hortênsias, que mais parecem obra divina do que espécie invasora, as araucárias e as criptomérias, tanta beleza prometida. As vaquinhas e os toiros bravos, negros como rochas, serenos como donos e senhores daquelas terras férteis.

São as festas populares que juntam tudo e todos em harmonia humana, como numa terra também prometida.

Talvez o Paraíso seja um lugar assim, ali bem no meio do Atlântico.         

terça-feira, 25 de julho de 2017

To (m)eat or not to (m)eat

Fundação Heinrich Böll

Este texto não quer ser radical, nem determinar que comer carne faz mal, muito menos que quem não come carne é bonzinho e quem come é mau porque não tem pena dos animais. Este texto vai lançar algumas questões sobre o consumo de carne, apenas isso.

Passa-me muitas vezes pela cabeça como um quilo de carne, seja de vaca, de porco ou de uma ave, possa custar o preço que habitualmente custa. Porque para chegar ao talho ou à embalagem do supermercado, aquele bocado de carne já pertenceu a um animal que comeu, bebeu e que levou tempo a crescer, e toda esta produção deve custar muito dinheiro. Então se a produção é cara, como pode o produto final ser tão acessível?

As minhas parcas noções de economia dizem-me que para se vender barato o custo de produção deve ser o mais baixo possível.

A Fundação Heinrich Böll publicou um estudo intitulado Atlas da Carne, no qual mostra números e factos sobre a produção de carne no mundo e levanta uma questão paradoxal sobre a qual todos deveríamos pensar – a produção de carne gera fome. Como assim, produzir um alimento gera fome?

Com a desculpa do crescimento da população mundial criou-se a suposta necessidade do aumento da produção de carne. A produção de carne bovina causa um impacto ambiental tremendo, que vai desde a desflorestação, ao consumo excessivo de água ou ao aumento da produção de gases de efeito estufa.  No caso de animais como o porco ou as aves, o impacto ambiental parece ser de menor grau. Mas as condições de vida destes animais são, muitas vezes, deploráveis, já quase todos vimos imagens dos espaços confinados onde vivem. Para além de muitos destes animais serem alimentados com rações cuja origem é também questionável, a manutenção da produção massiva exige a aplicação de medicamentos, como os antibióticos.

Mais do que pensar se determinado alimento faz bem ou mal, talvez seja mais interessante pensarmos na origem desse alimento, como foi produzido, por que fases passou até chegar ao nosso prato, que impactos ecológicos e económicos a sua produção causou. Também poderá ser interessante consumirmos com maior qualidade em detrimento da quantidade.

Termos esta consciência, da origem e produção dos alimentos, poderá melhorar diretamente a nossa saúde e, como poderão ver no estudo da Fundação Heinrich Böll, ir melhorando vários aspetos de maior escala, tornando o mundo mais justo, mais limpo e mais rico.

Acredito que se cada um de nós fizer um bocadinho, todos juntos dá um bocadão!

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Running is for Horses*

edgar-degas.net

Quem me conhece sabe que não acho graça à corrida. Nem pessoal, nem profissional. E também sabe que há anos que digo que correr não faz bem nenhum, principalmente às mulheres, especialmente às mulheres que têm a bacia mais larga, mesmo que magras.

Desenvolvi teorias baseadas na anatomia, no movimento humano, nos programas da BBC ou nas revistas da National Geographic, que mostram aquilo que o Homem andou a fazer ao longo da sua evolução. Teorias que resumiam algum do meu conhecimento com a minha intuição. Sabem quando sabemos algo que não sabemos explicar e nem sequer sabemos como sabemos, mas que sabemos? É confuso, era mais ou menos isso que eu sentia com a corrida.

A minha animosidade com esta atividade ganha tamanho quando vejo pessoas a correrem com os ombros encolhidos, encostados às orelhas, os joelhos instáveis a rodarem para dentro, senhoras com soutiens desapropriados, quando o ar de esforço é demasiado evidente, enfim, uma panóplia de apontamentos que me fazem levar as mãos à cabeça.

Anos depois, já a minha embirração ia longe, a estagiar na Bélgica, o meu mestre estava a tratar um colega nosso que lhe recorria por uma dor qualquer de que não me lembro, dor essa que aparecia precisamente por ser um apaixonado da corrida. Percebi que a discussão sobre correr ou não correr era habitual entre eles e resolvi ficar calada, simplesmente a ouvir e a aprender. Eis que o mestre diz running is for horses!*.

Isto foi música para os meus ouvidos. Se o azimute das minhas ideias já apontava naquela direção, ouvir esta frase de uma pessoa tão sábia, tornou mais consistente a minha convicção.

Como acredito que só não muda de ideias quem não as tem, que só não muda de paradigma quem é casmurro e que a distância entre a casmurrice e a burrice é curta, hoje em dia, vejo a corrida com menos radicalismo.

Não estou a dizer que correr faz bem, nem para calçarem os ténis e soltarem os cavalos. O que quero dizer é que se gosta de correr, se isso lhe dá um imenso prazer, então, corra.

Mas fique atento às suas predisposições posturais, aos músculos que são naturalmente menos flexíveis no seu corpo, à bacia, aos joelhos, aos ombros, ao apoio que os seus pés fazem no chão. Porque todas estas questões posturais se exacerbam quando corre.

Não as tente corrigir quando estiver na sua corrida, nesse momento deverá ter a consciência postural relaxada. Fora das horas dedicadas à corrida tente alongar-se e fortalecer-se profundamente, para poder correr livremente, sem dores nem maleitas daí decorrentes.

E se correr for para cavalos, pelo menos o cavalo é um animal bonito e de qualidades reconhecidas.

terça-feira, 4 de julho de 2017

O Ioga é parado

yogadogz.com

Acho graça quando me dizem que o ioga é parado. Eu gosto é de me mexer rapidamente, de máquinas, música alta, isso do ioga é muito parado para mim, mais os mantras e os chakras, nem pensar! Quando oiço este tipo de comentário, penso, e às vezes até o digo, que talvez precisem mais de uma prática parada do que imaginam.

Bom, ficar três ou cinco respirações numa mesma postura, é de facto, parado, mas não é uma seca!

Só ficando algum tempo numa determinada postura é que podemos ganhar flexibilidade, é que conseguimos fortalecer profundamente a musculatura e tudo isto de forma consciente. Só assim podemos sentir verdadeiramente o nosso corpo e as suas limitações, entender algumas das tensões e dores que sentimos no dia-a-dia e aprender a geri-las.

As coisas feitas devagar são, geralmente, mais difíceis de executar. No ioga usa-se o tempo a nosso favor e afinal, já diz o Caetano, o tempo é um dos deuses mais lindos. 

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Essa é muito antiga...

meadowarts.org

Uma cicatriz por mais antiga e impercetível que seja é sempre um ponto de tensão no corpo. Devemos sempre lembrar que a cicatriz superficial tem camadas mais ou menos profundas, dependendo da estrutura que foi operada, e que estas são também pontos de tensão. 

O nosso corpo, por ser muito inteligente, tende a proteger a zona que foi operada, tende a fechar-se sobre esse ponto. Por exemplo, uma cicatriz na zona do esterno por uma cirurgia cardíaca, a tendência será o peito fechar-se em si mesmo, os ombros a rodarem para a frente, a dorsal a curvar. Outro exemplo, a cicatriz de uma cesariana, pequenina, pequenina, impercetível, uma proteção provável poderá ser a bacia começar a fechar-se, os fémures a rodarem para dentro, a lombar exacerbando ou retificando a sua curvatura normal.

Estes são exemplos óbvios de cirurgias óbvias. E as cirurgias menos óbvias, cuja cicatriz parece ter um resultado inócuo? Como a de uma hérnia inguinal, ou da apendicite da infância ou ainda a invisível cicatriz de um cateterismo?

As camadas de tecidos devem deslizar umas sobre as outras, para que o movimento não fique comprometido, para que a tendência protetora sobre a cicatriz não passe disso mesmo, e não se transforme num emaranhado de tensões, aderências e fixações nesse ponto ou nas estruturas adjacentes.

Quantos pacientes chegam com uma dor na anca, no joelho, no fundo das costas, ou no ombro, na cervical, e quantos, não coincidentemente, têm cicatrizes destas, impercetíveis e antigas? Quantas vezes numa geografia anatómica aparentemente distante da região onde têm a dor que os trouxe até à Fisioterapia?

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Anúncio de Verão

tudosobreplantas.com

O início da Primavera traduz a verdadeira força da natureza. As plantas emergem da terra, contrariando a força da gravidade, e crescem impulsivamente em direção ao céu, aguentando o frio das noites e das manhãs e aproveitando sabiamente o calor do dia.

Mas a Primavera avançada, mais branda e suave, tem outro encanto. Os cheiros que começam a surgir, sobretudo ao final da tarde e à noite, as flores que brotam e tornam tudo mais colorido. Por entre os capins abandonados de beira de estrada brilham florzinhas selvagens amarelas, brancas ou roxas, os loureiros sobem na vida e passam de arbusto despercebido a senhores floridos e tudo isto torna mais simpático o ficar parado no trânsito.

De todas as maravilhas naturais da fase tardia da Primavera, há uma que me tira o folego! O jacarandá.

Fico ansiosa para que floresçam. Aquele roxo-lilás muito vibrante que enche avenidas e ruas inteiras ou aqui e ali pela cidade, entre outras árvores, muito vivo, alegre e vaidoso. Alguns são tão bojudos que nem lhes distinguimos os ramos por entre tantas flores. São maravilhosos! Perco-me a olhá-los e todos os anos me espanto como se fosse a primeira vez que vejo tal coisa.

As flores do jacarandá costumam chegar em Maio e dão sinal de que vem aí a estação quente. Como é bom um anúncio de Verão!

Até o nome é engraçado, jacarandá. Parece nome de brincadeira, ou de fruta tropical ou mesmo de bicho divertido.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

As Cadeias Fisiológicas ou o Método Busquet

method-busquet.com

O método Busquet foi criado pelo fisioterapeuta e osteopata francês Leopold Busquet. Segundo o próprio Leopold as Cadeias representam uma leitura anatómica e fisiológica do corpo humano e por isso, não são nem uma teoria, nem uma filosofia. São circuitos anatómicos através dos quais o corpo humano se organiza.

Levou anos a estudar, a tentar compreender o dinamismo do corpo humano, foi-se juntando a outros terapeutas dispostos a estudar e criar com ele o método. Tornou-o de simples compreensão, ressuscitou a avaliação do paciente da cabeça aos pés, criou um método global, que vê o todo relacionando as partes entre si.

A sua grande mais valia foi ter conseguido relacionar o sistema músculo-esquelético e o sistema visceral, relação chamada de contentor-conteúdo. O sistema músculo-esquelético, o contentor, adapta-se às necessidades do sistema visceral, o conteúdo.

Ter estudado as cadeias foi quase como tirar um novo curso de Fisioterapia. Quer isto dizer que o curso que tirei, no Alcoitão, foi muito bom, muito completo e exigente, e não o contrário. Mas quando acabamos um curso não temos grandes dúvidas, apesar de não sabermos quase nada. As dúvidas surgem quando passamos à prática, quando começamos a questionar o que vamos observando e sentindo, quando surge o pensamento. Por isso, no meu caso, fez sentido fazer as Cadeias quando as dúvidas não podiam mais calar.

Ao longo do curso fui tendo a sensação de que muitas eram respondidas. Algumas eram intuitivas, outras partiam da falta de sentido que encontrava entre o que os pacientes me diziam sentir e o que eu, com o conhecimento que tinha até então, lhes podia responder. Eu sabia que faltava qualquer coisa ao meu raciocínio clínico e que essa falta não seria colmatada no meu estudo solitário.

Quer dizer que já sei tudo e que resolvo qualquer situação a qualquer pessoa, qual salvadora da pátria? Não. Durante uns tempos parece que temos resposta para tudo e depois, quando o conhecimento começa a assentar, surgem logo novas questões. Porque é a eterna insatisfação saudável que nos faz procurar saber sempre um pouco mais.


quinta-feira, 18 de maio de 2017

Amanpour

Noutro dia, em conversa a propósito das eleições francesas, o meu interlocutor e amigo perguntou-me onde tinha ido buscar as notícias de que lhe falava. E respondi-lhe, com a naturalidade de quem já se considera íntima da senhora, na Amanpour. A Christiane Amanpour, para quem não conhece, é uma jornalista da CNN, que tem um programa diário sobre assuntos internacionais.

Sou uma profunda admiradora do seu trabalho, no entanto, admito que comecei a vê-la por ser parecida com a minha Mãe. O ar exótico, os olhinhos pretos, brilhantes, vivaços. É incisiva, certeira e incansável até que se sinta satisfeita com o nível de informação recolhida do seu entrevistado.

Não teve um percurso facilitado dentro do ramo, em parte por ser filha de pai iraniano, por não ter nem sotaque norte-americano, nem suficientemente britânico. Teve, finalmente, o seu mérito reconhecido quando fez uma grande reportagem sobre o Irão, onde viveu na infância.  

O programa é composto por três entrevistas e uma curtíssima rúbrica final. O mais fascinante no seu trabalho é a profundidade com que trata os assuntos, que muito se deve à escolha dos entrevistados, parece escolher sempre a pessoa certa para dissecar determinado tema, que podem ser presidentes, primeiros-ministros, embaixadores, professores universitários, enfim, gente entendida. O facto de o canal ter excelentes correspondentes pelo mundo todo, e que muitas vezes reportam dos cenários mais inóspitos da atualidade, também enriquece o programa, criando uma ponte mais realista entre o estúdio de gravação e o terreno. Fica-se sempre a conhecer mais um pouco depois de vermos esta jornalista rigorosa e destemida.

A rúbrica final do programa chama-se Imagine a World, trata de algo positivo e inspirador, muitas vezes inusitado, que esteja a acontecer no mundo. Esta forma de fechar o programa, que na maioria das vezes aborda temas tensos, mostra a inteligência e a sensibilidade de quem põe a sua alma na matéria que produz.

Podemos vê-la de segunda a sexta ou ouvi-la em podcast, se vos interessar, espreitem aqui.