terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Não seja forte, seja flexível


Esta é uma das frases de que mais gosto, podemos aplicá-la em todas as vertentes da nossa vida e na minha profissão, assenta que nem uma luva. Dizem que pertence à panóplia de frases sábias de Confúcio, o pensador chinês. 

Soltos e firmes. Confuso? 

Às vezes temos a sensação de que para sermos firmes não podemos estar soltos, devemos ser fixos, rígidos. Mas já pensaram que se as pontes fossem rígidas, cairiam? Nós, tal como as pontes, precisamos é de estabilidade.

A estabilidade é o equilíbrio das forças, é termos a tensão necessária para nos sustentar e gerar força para as nossas tarefas; e se a ausência de tensão é fraqueza, o seu excesso é rigidez. 

No nosso corpo, uma pode levar à outra. Tanto um músculo fraco quanto um rígido perdem a sua capacidade de contração, por consequência um músculo fraco pode tornar-se rígido e um rígido certamente se torna fraco. Portanto, para alcançarmos a estabilidade de que precisamos, o alongamento mostra-se tão necessário quanto o fortalecimento.

Arrisco dizer, pela observação na minha prática clínica, que a maioria das dores físicas revelam-se por esta rigidez-fraqueza. Se seguirmos a sensatez de Confúcio, podemos transformar a rigidez-fraqueza em flexibilidade-força.

E assim, pelo tempo que aqui estivermos, permanecermos estáveis como a icónica ponte nortenha.


domingo, 19 de novembro de 2017

A segunda-feira


Quem gosta de segundas-feiras? Eu! Conheço poucas pessoas que gostem muito de segundas-feiras. Se alguém aí gostar deste parente pobre da semana, que se acuse, por favor!

Para mim, a segunda-feira é uma oportunidade. Uma oportunidade de ter uma semana melhor do que a anterior, de trabalhar melhor, de fazer melhores refeições, de fazer o que ficou por fazer, de recomeçar! Será otimismo gostar do dia da Lua?

Pois é, já repararam que em espanhol, francês e italiano, segunda-feira se relaciona com a palavra lua? Lunes, lundi, lunedi. Mesmo nas línguas anglo-saxónicas existe a relação, monday, montag, maandag. Esta denominação tem um significado astrológico, adotado pelos antigos, que se estende aos restantes dias da semana. Mas fiquemos pela Lua ou pela sua influência na segunda-feira.

Fisicamente, a Lua exerce grande influência sobre os fluídos, os que estão dentro e fora do nosso corpo, veja-se como domina as marés. Será por isso que tantos sentem o peso da segunda-feira como se estivessem inchados?

Astrologicamente, a Lua está relacionada com o feminino, com as emoções, a imaginação, a intuição. A segunda-feira parece ser um bom dia para tratarmos de assuntos familiares, para sermos recetivos e acolhermos as necessidades de quem cuidamos, para agirmos com compaixão, como fazem as mães.

Deste ponto de vista começo a perceber a dificuldade com a segunda-feira, quem tem vontade de sair da cama e ir trabalhar quando temos um astro que nos influencia de forma contrária?! Isto para quem considera a astrologia, para muitos a segunda-feira é simplesmente difícil porque o fim-de-semana é mais divertido. Mas às vezes não foi assim tão divertido, não se descansou assim tanto, e assim mesmo a segunda é um cataclismo psicológico.

E quem faz par com a Lua? O Sol! Que nos faz andar para a frente, que nos enche de energia vital, essencial para trabalharmos e realizarmos os nossos projetos, os sonhos que sonhámos com o apoio da Lua. Curiosamente, o Sol influencia o domingo. E a maior parte de nós não trabalha ao domingo. E se trocássemos o calendário semanal? Ficaríamos felizes por recebermos as influências certas para as nossas tarefas ou nada mudaria e o primeiro dia de trabalho seria sempre um sofrimento?

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

O Ioga é egoísta

yogadogz.com

O ioga é só um, mas existem várias formas de o praticar, conheço umas tantas denominações, e já experimentei algumas. Escolhi ficar com o Hatha, por isso só posso falar deste. E este, hoje em dia, é uma prática física, muito física aliás, onde a consciência está obrigatoriamente muito desperta.

Como diz a minha professora, a Cristina, em tom de brincadeira, o ioga é uma prática egoísta, porque só podemos olhar para dentro. E o que é isto de olhar para dentro? É sentir. Só assim, sentindo, podemos fazer ioga sem nos magoarmos, tirando apenas partido do alongamento, do fortalecimento, do ganho de equilíbrio. De sentir aqueles músculos que não havíamos sentido, que se situam tão profundamente dentro de nós que só numa postura muito louca podemos tomar consciência deles. Sentir onde dói, onde ganhamos espaço, a cada respiração.

É claro que esta exigência de concentração não permite a televisão que passa jogos de futebol, notícias ou videoclips atuais, a poposuda de fatiota colada ao corpitxo ou o musculado que se passeia, gingão, de toalha aos ombros. Os amantes de ginásios que me perdoem a caricatura, mas no ioga só se olha para dentro. 

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Nariz entupido? - Dica


Abriu a época do nariz entupido. Seja por este calor excessivo e fora de época, pelos ventos do Outono, ou porque de vez em quando convém eliminarmos os excessos e o sistema respiratório é um dos sistemas através dos quais deitamos muita coisa fora. É bom deitar fora, é sinal da inteligência do nosso corpo. Mas é chato e a paciência não impera por aí.

A maioria de nós, aquando de uma chatice destas, toca a tomar anti-histamínicos, corticoides e afins. Pronto, lá vem esta com as suas teorias anti-remédios. E como é que eu durmo com o nariz tapado? Antes de me acusarem, com alguma legitimidade, de radicalismo na avaliação do papel da indústria farmacêutica nos tempos modernos, leiam até ao fim, por favor.

Entre as lavagens do nariz com água salgada ou os chás que ajudam a purgar os excessos e a manterem-nos hidratados, aqui vai uma dica de fácil aplicação e sem custos.

Experimente inspirar por uma narina e expirar pela outra. Tape a narina mais congestionada com um dedo e comece por inspirar pela narina mais arejada, em seguida tape a narina pela qual inspirou e deite fora o ar pela outra narina, a mais congestionada. A força que o ar tem de fazer para passar vai ajudar a mobilizar as secreções que o impedem de circular.

Faça esta respiração umas dez vezes e de forma pausada, com calma. Não desespere, as narinas podem estar tão tapadas que lhe dá a sensação de que o ar não passa. Vá experimentando, sem entrar em stress, nem psicológico, nem respiratório. À medida que for inspirando e expirando as narinas vão-se destapando e o ar começa a alcançar lugares que não alcançava até então.

Também pode experimentar respirar apenas por uma das suas narinas, inspirando e expirando, pausadamente, pela mesma narina umas dez vezes, e repetindo do outro lado.

Esta dica pode ser aproveitada mesmo quando não tem o nariz entupido. Respirando assim o ar tem tempo para passar por todos os seios peri-nasais, arejá-los e mantê-los mais limpos do muco acumulado. Pode ser também experimentada em caso de dor de cabeça.

Posologia – várias vezes por dia nas fases agudas, uma ou duas vezes por semana o resto do ano.
Composição – toneladas de paciência.
Contra-indicações – não são conhecidas contra-indicações para esta dica.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Um pouco mais das Cadeias Fisiológicas

pinterest.com

A principal crítica que o meu meio profissional faz às Cadeias é o facto de muitas das técnicas propostas não estarem comprovadas pelo método científico. Mas a verdade é que a base do raciocínio em Cadeias está na observação da anatomia. Não naquela observação de o músculo X vai de A para B e faz tal movimento. Baseia-se na relação entre estruturas, nas interfaces que acontecem entre tecidos de diferentes funções, na continuidade dos tecidos.

Costumo fazer a analogia da anatomia com um mapa de uma cidade. Quantas ruas se continuam num mesmo trajeto, apesar de mudarem de nome? Quantas ruas desembocam em praças de onde saem outras quantas ruas? Não se trata de uma continuação de caminhos?

Os tecidos no nosso corpo comportam-se da mesma forma. Continuam-se. Nos músculos é particularmente fácil de se observar esta continuidade.

E também fazem interfaces, importantíssimas para se entender a descrição de uma dor de um paciente. Por exemplo, um ligamento (um tecido que liga um osso a outro osso) pode fazer interface com um músculo, com um tendão, com um nervo, com um vaso sanguíneo, com um órgão.

Para que o movimento ocorra sem dor e sem limitações, estas interfaces têm de estar livres de tensões, aderências, inflamações. Como se estes tecidos deslizassem uns sobre os outros.

A receita base proposta pelas Cadeias é estar de olhos bem abertos para o livro de anatomia, de espírito aberto na observação do paciente e, sobretudo, correlacionar uma coisa com a outra. Para que serve conhecer uma vastíssima colecção de técnicas se não se raciocina sobre o basilar conhecimento do corpo humano?